Dedicou a vida à medicina e à fé – 22/02/2025 – Cotidiano

O cabelo de Marilda Machado era vermelho. Loira, ela decidiu mudar o visual durante viagem com o marido pela Europa, quando ela estava com 40 anos, e nunca mais voltou atrás. Vermelho também era a cor do batom que ela sempre usava.

O estilo define a forma como ela levava a vida, lembra o filho João Machado. Fazia aquilo que julgava correto e não havia nada nem ninguém que a fizesse mudar de ideia.

Marilda se formou em medicina na primeira turma da Faculdade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, nos anos 1960, e foi lá que conheceu seu marido, Geraldo, com quem foi casada por 50 anos. Ao lado dele, festejou as bodas de ouro, mas sempre lembrava a todos que o tempo de convívio com o companheiro era muito mais longo.

O casal de médicos teve três filhos. Para João, a mãe foi uma mulher que se orgulhava da independência até o fim da vida. “Ela se orgulhava da lucidez, da autonomia, de andar sem cadeira de rodas”, diz o filho.

A escolha da medicina sempre foi uma certeza para Marilda. “Eles sempre souberam o que queriam ser e nunca questionaram nada. Nunca passou pela cabeça deles ter qualquer outra profissão”, diz.

Além da carreira, a fé permeou desde jovem a vida de Marilda, que estudava em uma instituição de freiras e pediu ao pai para finalizar a educação básica no Colégio Bandeirantes, na capital paulista, para que conseguisse se preparar melhor para o vestibular. Porém, nunca se afastou de religião.

Ela foi uma das testemunhas da causa de beatificação do padre Mariano de la Mata, em 2006, e escreveu carta ao papa Francisco defendendo a canonização do religioso espanhol, a quem se atribui a cura de um estudante de 16 anos atropelado no interior paulista. Já com a idade avançada, Marilda deixou o pedido com o filho, que entregou a solicitação da mãe ao Vaticano.

Com as amigas, criou o grupo de oração Nossa Senhora da Esperança, que há 40 anos reza o terço uma vez por mês. O grupo, composto por mulheres entre 80 e 90 anos, resistiu à pandemia da Covid-19, e Marilda deixou de legado instruções sobre como continuá-lo.

Ela também gostava de ajudar a população de rua. Participou de diversas obras sociais, como a Pastoral do Largo de São Francisco e o Enxoval do Menino Jesus, com doações no Natal para centenas de famílias.

Marilda morreu no dia 9 de fevereiro, aos 83 anos, em decorrência de uma fibrose pulmonar. Deixa os três filhos, duas irmãs, amigas e os gatos.

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